Melhores Do Ano! Confira Os Animes Mais Visualizados De 2023
Vou ser sincero com você: acompanhar o ritmo da indústria de animes em 2023 foi uma maratona, não uma corrida de 100 metros. Eu trabalho cobrindo cultura pop asiática há mais de uma década e raramente vi um ano tão denso, tão cheio de “pesos-pesados” colidindo na mesma temporada.
Lembro-me de estar em outubro, tentando equilibrar a agenda para assistir ao final de uma era com Attack on Titan, enquanto tentava processar o caos visual de Jujutsu Kaisen e, ao mesmo tempo, chorava com a melancolia suave de Frieren. Foi um ano de excessos, no melhor sentido da palavra.

Se você sentiu que 2023 foi um ano atípico, você não está louco. Foi o ano em que o anime furou a bolha do nicho de vez e se tornou o assunto principal nas mesas de bar, nos escritórios e nas escolas.
Neste artigo, não vou apenas jogar uma lista fria de títulos e sinopses que você encontra na Wikipédia. Quero sentar com você e analisar por que esses foram os animes mais visualizados. O que eles fizeram de diferente? Por que mexeram tanto com a gente? E, claro, se você perdeu algum, vou te dar o mapa da mina para maratonar agora.
Prepare a pipoca (ou o lámen), porque vamos mergulhar fundo no que 2023 nos deixou de legado.
O Ano dos Gigantes: Quando o Hype Encontra a Qualidade
O que definiu 2023 foi o retorno das franquias colossais. Não estávamos lidando apenas com novidades, mas com o ápice de histórias que acompanhamos há anos. A audiência não explodiu por acaso; foi o resultado de anos de construção de base de fãs.
1. Jujutsu Kaisen (2ª Temporada – O Incidente de Shibuya)
Se houve um anime que “quebrou a internet” semanalmente, foi Jujutsu Kaisen. Eu me lembro de atualizar as redes sociais nas quintas-feiras e ver timeline após timeline em colapso nervoso.
O arco do “Incidente de Shibuya” já era lendário no mangá, mas o que o estúdio MAPPA fez foi elevar a barra da animação para um nível quase cinematográfico em TV aberta.
Por que foi o rei das visualizações?
Não foi só pelas lutas bonitas. Foi pela coragem narrativa. 2023 foi o ano em que Jujutsu Kaisen disse ao público: “Ninguém está a salvo”. A sensação de perigo real, onde personagens amados podiam (e foram) eliminados brutalmente, gerou um engajamento absurdo.
Visualmente, houve uma mudança de estilo em relação à primeira temporada. Ficou mais fluido, mais artístico, às vezes beirando o experimental. A luta entre Sukuna e Jogo, por exemplo, não foi apenas uma batalha; foi uma demonstração de poder destrutivo que me deixou de boca aberta olhando para a tela.
O veredito prático: Se você gosta de ação frenética, mas com um peso emocional que te deixa sem ar, este foi o anime obrigatório do ano.
2. One Piece (O Despertar do Gear 5)
Eu acompanho One Piece desde que as TVs eram de tubo. E posso afirmar: nunca vi um hype global como o do episódio 1071.
A transformação do protagonista Luffy, o famoso “Gear 5”, não foi apenas um power-up. Foi uma mudança de paradigma. Enquanto a maioria dos animes shonen (voltados para jovens) tenta ser “trevoso” e sério, One Piece abraçou a ridicularidade, a liberdade e o estilo cartunesco dos desenhos antigos, como Tom & Jerry.
A experiência de assistir:
Quando os tambores da libertação tocaram, servidores de streaming caíram ao redor do mundo. A visualização massiva não veio só dos fãs assíduos, mas de gente que tinha parado de assistir há 10 anos e voltou só para ver esse momento histórico. Foi uma celebração da animação como forma de arte livre.
3. Attack on Titan (Shingeki no Kyojin) – O Grande Final
Finalmente acabou. Depois de anos de “Temporada Final – Parte 1”, “Parte 2”, “Especiais”, chegamos ao desfecho da saga de Eren Yeager.
A audiência aqui foi movida por dois sentimentos: curiosidade e necessidade de encerramento. Mesmo quem já tinha lido o final polêmico no mangá sintonizou para ver como o estúdio MAPPA adaptaria o apocalipse do “Estrondo”.
Minha visão: Foi um evento sombrio, filosófico e visualmente impecável. Não é um anime fácil de digerir. Lembro-me de terminar o episódio final e ficar olhando para o teto por uns 20 minutos, refletindo sobre o ciclo de ódio da humanidade. Se um desenho consegue fazer isso, ele merece estar no topo das paradas.
As Surpresas que Roubaram a Cena
Enquanto os gigantes batalhavam, dois animes chegaram “de fininho” (ou nem tanto) e conquistaram uma legião de espectadores, provando que nem só de luta vive o otaku.
4. Oshi no Ko
Eu fui pego completamente desprevenido por esse. A premissa parecia simples: um anime sobre ídolos musicais japoneses. “Ok, vai ser fofinho”, pensei.
Que erro. O primeiro episódio de Oshi no Ko não é um episódio; é um filme de 90 minutos que destrói suas expectativas, pisa no seu coração e te entrega um suspense de vingança digno de Hollywood.
O segredo do sucesso:
Ele expõe o lado podre da indústria do entretenimento. Mentiras, stalkers, a pressão das redes sociais, a depressão por trás dos sorrisos falsos. Foi um dos animes mais visualizados porque gerou debate. A música de abertura, “Idol” do YOASOBI, tocou em todo lugar, do TikTok às lojas de conveniência no Japão, impulsionando ainda mais a audiência.
5. Frieren e a Jornada para o Além (Sousou no Frieren)
Se Jujutsu Kaisen é a adrenalina, Frieren é o abraço quentinho misturado com uma lágrima de saudade.
A história começa onde a maioria dos RPGs termina: o herói já venceu o Rei Demônio. E agora? Para a elfa Frieren, que vive milhares de anos, a vida dos seus amigos humanos é um sopro.
Por que tanta gente assistiu?
Estamos cansados. O mundo real está caótico, e os animes de ação são estressantes. Frieren ofereceu uma fantasia contemplativa, linda e melancólica. A qualidade da animação da Madhouse foi absurda — não nas explosões, mas no movimento de um cabelo, no tecido da roupa, na sutileza de um olhar.
Foi o anime mais “humano” do ano, apesar da protagonista ser uma elfa. Ele nos ensinou a valorizar o tempo que temos com quem amamos.
O Retorno dos Clássicos e Continuações Sólidas
Além dos fenômenos, 2023 foi sustentado por continuações que mantiveram uma base de fãs fiel e gigantesca.
6. Demon Slayer (Kimetsu no Yaiba) – Vila dos Ferreiros
Olha, vou ser crítico aqui, como alguém que analisa isso profissionalmente. A temporada da Vila dos Ferreiros não teve o mesmo impacto emocional do “Distrito do Entretenimento” (aquela luta do Tengen Uzui foi insuperável).
Porém, Demon Slayer é uma máquina de visualizações. A qualidade técnica da Ufotable continua sendo o padrão ouro da indústria. Mesmo com um ritmo um pouco mais lento e vilões menos carismáticos, todo domingo era dia sagrado para milhões de pessoas verem a respiração da névoa e do amor em ação.
7. Vinland Saga (2ª Temporada)
Essa foi a “filtragem” do ano. A primeira temporada foi sobre guerra, sangue e vingança. A segunda temporada foi sobre… plantar trigo.
Muitos dropparam (pararam de assistir), mas quem ficou, presenciou uma das melhores construções de personagem da história da mídia. Ver Thorfinn passar de uma besta assassina para um pacifista que entende o peso de tirar uma vida foi transformador. A audiência foi alta porque a propaganda boca a boca sobre a qualidade do roteiro foi imensa.
Guia Prático: O Que Assistir Baseado no Seu Gosto?
Se você não assistiu a tudo (quem tem tempo, né?), aqui vai meu guia rápido para você escolher sua próxima maratona, baseado no seu estado de espírito atual.
“Quero ação desenfreada e não me importo de sofrer um pouco”
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Vá de: Jujutsu Kaisen (2ª Temporada) ou Hell’s Paradise (Jigokuraku).
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Por quê? São o ápice do “Trio Sombrio” moderno. Lutas incríveis, riscos reais.
“Quero relaxar, refletir sobre a vida e ver algo bonito”
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Vá de: Frieren: Beyond Journey’s End.
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Por quê? É terapia visual. A trilha sonora e o ritmo vão baixar sua pressão arterial.
“Quero um mistério que me prenda na cadeira”
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Vá de: Oshi no Ko ou The Apothecary Diaries (Diários de uma Apotecária).
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Por quê? Maomao (da Apotecária) é uma das melhores protagonistas femininas do ano, usando inteligência e venenos para resolver crimes na corte imperial.
“Quero dar risada e ver zumbis (sim, a combinação existe)”
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Vá de: Zom 100: Bucket List of the Dead.
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Por quê? É sobre um cara tão explorado no trabalho que, quando o apocalipse zumbi começa, ele fica feliz porque não precisa ir trabalhar. Crítica social com cores vibrantes.
O Que 2023 Nos Ensinou Sobre o Futuro dos Animes?
Analisando os números e a recepção desses animes, percebi três tendências claras que moldarão o que vamos assistir nos próximos anos.
1. A Era dos Episódios Longos
Oshi no Ko estreou com 90 minutos. Frieren estreou com um especial de 2 horas (dividido em 4 partes). Demon Slayer faz episódios duplos.
Os estúdios perceberam que tratar estreias e finais como “eventos de cinema” na TV funciona. Isso cria um senso de importância e urgência.
2. A Qualidade “Cinematográfica” é o Padrão Mínimo
Antigamente, animes de TV tinham animação limitada e guardavam o orçamento para filmes. Hoje, séries semanais como Jujutsu Kaisen e Chainsaw Man (do ano anterior) têm qualidade de filme. O público ficou mal acostumado (no bom sentido) e não aceita mais slides de PowerPoint estáticos. A barra subiu.
3. A Crise dos Animadores
Não posso escrever um artigo honesto sem mencionar o elefante na sala. A qualidade absurda de 2023 veio a um custo humano altíssimo. Houve muitas denúncias de animadores trabalhando em condições exaustivas, especialmente no MAPPA (Jujutsu Kaisen).
Como consumidores, estamos começando a discutir mais sobre isso. O sucesso desses animes levanta a questão: até que ponto a qualidade visual justifica a saúde dos artistas? É um tema que vai crescer.
Erros Comuns ao Escolher o que Assistir
Muitos leitores me perguntam: “Comecei tal anime e não gostei, o que há de errado comigo?”. Nada. Aqui estão erros que vejo muita gente cometer:
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Seguir o Hype cegamente: Só porque todo mundo amou One Piece, não significa que você vai gostar de assistir 1000 episódios. Respeite seu tempo.
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Ignorar a Regra dos 3 Episódios: Especialmente em 2023, animes como Vinland Saga mudaram de tom drasticamente. Dê uma chance de pelo menos 3 episódios para entender a proposta real da obra.
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Assistir apenas Shonen de Luta: Você perde obras-primas como Frieren ou Pluto (um suspense sci-fi incrível da Netflix que saiu em 2023) se ficar só no “soco e poderzinho”.
2023 Foi um Ponto de Virada
Ao olhar para trás, para todas as horas que investi assistindo a essas obras, não sinto que perdi tempo. Sinto que presenciei história sendo feita.
2023 provou que a animação japonesa não é um gênero, é uma mídia capaz de contar qualquer tipo de história — do horror cósmico ao drama existencialista, da comédia pastelão à crítica social ácida.
Os animes mais visualizados do ano não foram apenas “desenhos populares”. Foram fenômenos culturais que uniram pessoas ao redor do mundo. Se você ainda não assistiu a algum desses títulos, a boa notícia é que eles estão todos aí, prontos para serem maratonados.
Meu conselho? Comece por Frieren se quiser paz, ou Jujutsu se quiser caos. De qualquer forma, você estará em boas mãos.
E que venham as próximas temporadas!



