Raccoo Venture: Conheça O Novo Jogo Brasileiro De Plataforma 3D
Lembro-me vividamente da tarde de sábado nos anos 90, sentado no chão da sala, com um controle na mão e os olhos grudados na TV de tubo. Eu estava hipnotizado por mundos coloridos, pulando em cabeças de inimigos e coletando moedas. Jogos como Super Mario 64, Banjo-Kazooie e Spyro não eram apenas passatempos; eram portais para universos onde a física era divertida e a exploração era a lei.
Cresci, e com o tempo, a indústria de jogos mudou. O realismo cinzento e os tiroteios frenéticos tomaram conta. A inocência colorida dos jogos de plataforma 3D parecia ter ficado para trás, uma relíquia empoeirada da era 32/64 bits.

Mas então, algo mágico aconteceu. Eu tropecei em um pequeno projeto chamado Raccoo Venture. E não era um jogo vindo de um estúdio gigante no Japão ou na Califórnia. Vinha daqui, do Brasil. Feito praticamente por uma única pessoa, Diego Ras.
Quando joguei pela primeira vez, senti aquele mesmo calor no peito de quando tinha 10 anos. Mas não se engane: a nostalgia é apenas a porta de entrada. O que encontrei lá dentro foi um jogo robusto, desafiador e cheio de personalidade.
Neste artigo, quero pegar você pela mão e apresentar cada detalhe dessa joia nacional. Não apenas como um fã, mas como alguém que analisou cada pixel e mecânica. Se você sente falta da era de ouro dos mascotes ou quer apoiar o cenário brasileiro com algo que realmente vale a pena, sente-se. Temos muito o que conversar.
O Que é Raccoo Venture? (E Por Que Você Deveria Se Importar)
Para os iniciantes, Raccoo Venture é um jogo de plataforma 3D. Isso significa que você controla um personagem (neste caso, um guaxinim carismático) em um ambiente tridimensional, onde o objetivo principal é pular entre plataformas, resolver quebra-cabeças e derrotar inimigos.
Mas definir o jogo apenas por seu gênero seria superficial. Ele é uma carta de amor aos clássicos. A premissa é simples, como nos velhos tempos: o equilíbrio do mundo de Verta está ameaçado pelos Tatu Tatus, e cabe a você, o último herdeiro dos Guardiões, restaurar a paz recuperando as relíquias sagradas do xadrez.
A Magia Está nos Detalhes
O que me pegou de surpresa não foi a história, mas a execução. Muitos jogos “indie” tentam copiar a fórmula da Nintendo e falham na física. O pulo é flutuante demais, ou pesado demais. Em Raccoo Venture, o controle é preciso.
Quando você aperta o botão de pulo, o guaxinim obedece instantaneamente. Quando você cai, sente o peso. Essa “sensação de jogo” (game feel) é o Santo Graal dos desenvolvedores, e Diego Ras acertou em cheio.
Além disso, o jogo não te segura pela mão. Ele respeita sua inteligência. Não há setas gigantes piscando na tela dizendo “vá por aqui”. Você precisa observar o cenário, entender os padrões e descobrir os segredos por conta própria. É libertador.
Mergulhando na Jogabilidade: O Guaxinim em Ação
Vamos dissecar o que você realmente faz no jogo. A estrutura é clássica: um “Hub World” (mundo central) conecta diversas fases temáticas. Florestas, templos de gelo, cavernas de lava – todos os arquétipos que amamos estão lá, mas com um toque visual único e vibrante.
Mecânicas Principais
O nosso herói não é apenas fofo; ele é versátil.
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Pulo e Pulo Duplo: A base de tudo. O pulo duplo salva vidas e permite alcançar áreas secretas.
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Ataque Giratório: Lembra do Crash Bandicoot? É satisfatório girar e mandar um inimigo voando para longe.
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Bomba de “Bundada”: Pular e cair com força no chão (ground pound) serve para quebrar caixas resistentes e ativar botões.
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Arremesso: Você pode pegar certos inimigos ou objetos e jogá-los. Isso é crucial para resolver puzzles.
Dica de Especialista: Domine o arremesso. Muitos jogadores esquecem dessa mecânica e tentam resolver tudo na base do pulo. Muitas vezes, a solução de um quebra-cabeça envolve pegar um cogumelo explosivo e acertar um alvo distante.
O Desafio Escondido
Não se deixe enganar pelos gráficos coloridos. Raccoo Venture pode ser brutal. Se você busca apenas um passeio no parque, vai encontrar, mas se quiser fazer 100% (coletar tudo), prepare-se para suar.
Existem fases opcionais e desafios de tempo que testarão seus reflexos ao limite. É aquele tipo de dificuldade “justa”: quando você morre, sabe que a culpa foi sua, não do jogo. E isso te faz querer tentar de novo.
Design Visual e Sonoro: Uma Identidade Brasileira?
Uma pergunta que sempre me fazem: “O jogo parece brasileiro?”. A resposta é complexa. Ele não tem uma estética estereotipada de “samba e futebol”. Ele aspira ser universal.
No entanto, há uma alma ali. O humor nos diálogos dos NPCs (personagens não jogáveis), as referências sutis e a vibração das cores têm um calor que me parece familiar.
Os gráficos são low-poly (poucos polígonos), mas com uma iluminação moderna e texturas suaves. É um estilo artístico inteligente, pois envelhece bem e roda liso em quase qualquer PC ou console.
A Trilha Sonora
A música merece um parágrafo à parte. Ela é dinâmica. Quando você está explorando, é calma e atmosférica. Quando entra em combate ou em uma seção de perigo, o ritmo acelera. As melodias ficam na cabeça, assobiáveis, como as grandes trilhas da era 16 bits.
Roupas e Personalização: O Charme do “Fashion Raccoo”
Um dos aspectos mais divertidos e surpreendentes é o sistema de customização. Espalhados pelas fases, você encontra itens de vestuário.
Não são itens que mudam seus atributos (você não fica mais forte com uma capa), mas mudam seu estilo. E, acredite em mim, você vai querer colecionar todos.
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Exemplos Práticos: Você pode vestir o guaxinim com uma roupa de Link (Zelda), um traje de piloto de corrida ou até roupas que fazem referências a outros jogos indies brasileiros.
Como encontrar as roupas:
Geralmente, elas estão escondidas atrás de paredes falsas ou exigem que você complete missões secundárias para NPCs estranhos que habitam o mundo.
Dica: Sempre gire a câmera. O desenvolvedor adora esconder segredos atrás de árvores ou pedras que só são visíveis se você manipular o ângulo de visão.
O Diferencial Técnico: Feito por Uma Pessoa (Quase)
Saber que Raccoo Venture é obra de Diego Ras muda a forma como você enxerga o jogo. Durante anos, ele programou, modelou, animou e desenhou as fases sozinho (com ajuda externa principalmente na música e som).
Isso traz uma coesão rara. Em grandes estúdios, às vezes a arte não conversa com a programação. Aqui, tudo é a visão de uma única mente.
Insight Avançado:
Isso também explica algumas limitações. O jogo não tem cutscenes cinematográficas de milhões de dólares ou dublagem completa. Mas, honestamente? Não faz falta. O charme está na jogabilidade, não no cinema.
Erros Comuns de Iniciantes em Plataforma 3D
Se você está enferrujado ou nunca jogou esse gênero, aqui vão alguns erros que vejo muita gente cometer em Raccoo Venture e como evitá-los:
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Ignorar a Sombra: Em jogos 3D, calcular onde você vai cair é difícil.
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Solução: Olhe sempre para a sombra do personagem no chão. Ela é sua mira. Se a sombra está sobre a plataforma, você vai cair nela.
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Pressa Inimiga: Tentar correr pelas fases ignorando os inimigos.
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O Problema: Muitos inimigos soltam itens necessários ou desbloqueiam portas quando derrotados. Além disso, levar um dano bobo pode te fazer cair em um buraco. Limpe a área antes de pular.
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Não Explorar o Hub: O mundo central não é apenas um menu de seleção de fases. Ele tem seus próprios segredos e quebra-cabeças que desbloqueiam fases especiais. Explore cada canto da “casa” do guaxinim.
Onde Jogar e Requisitos
A acessibilidade é um ponto forte. O jogo foi lançado inicialmente para PC (Steam), mas chegou aos consoles (PlayStation, Xbox, Switch).
No PC:
É extremamente leve. Você não precisa de uma placa de vídeo de última geração. Um notebook mediano roda o jogo tranquilamente, o que é ótimo para o mercado brasileiro, onde o hardware é caro.
Nos Consoles:
A experiência no Nintendo Switch é particularmente mágica. Ter esse jogo no modo portátil, jogando deitado na cama, é a definição de conforto. A performance é sólida, sem quedas bruscas de quadros.
Comparação Honesta: Raccoo Venture vs. Os Gigantes
É inevitável comparar. Como ele se sai frente a um Mario Odyssey ou Psychonauts 2?
Sejamos realistas. Ele não tem o orçamento infinito da Nintendo. As fases são menores, a variedade de inimigos é mais limitada. Mas, em termos de coração e diversão por minuto, ele não deve nada.
Muitos jogos AAA (de grande orçamento) hoje parecem produtos enlatados, feitos por comitês para agradar acionistas. Raccoo Venture parece feito por um amigo que quer te ver sorrir. Ele tem aquela rugosidade artesanal que torna a experiência mais humana.
Por Que Apoiar o Cenário Indie Brasileiro?
Comprar Raccoo Venture é um voto. É dizer ao mercado: “Nós queremos mais disso”. O Brasil tem talentos incríveis na programação e na arte, mas muitas vezes falta apoio financeiro e visibilidade.
Quando um jogo como esse faz sucesso, ele abre portas. Ele inspira outros desenvolvedores locais a tirarem seus projetos da gaveta. Ele mostra aos investidores que o Brasil não vive só de jogos mobile simples, mas que pode produzir aventuras complexas e memoráveis.
Além disso, o preço é localizado. Enquanto um lançamento internacional custa R
300ouR
350, Raccoo Venture chega por uma fração desse valor, entregando horas e horas de conteúdo de qualidade. É um custo-benefício imbatível.
Passo a Passo para Aproveitar ao Máximo
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Ajuste os Controles: Antes de começar, vá nas opções. Se estiver no PC, recomendo fortemente usar um controle (joystick). Jogos de plataforma 3D não foram feitos para teclado e mouse. A precisão do analógico faz toda a diferença.
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Calibre o Brilho: O jogo é colorido, mas tem cavernas escuras. Certifique-se de que sua TV ou monitor não está escuro demais para não perder detalhes.
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Jogue com Fones: A espacialidade do som ajuda a localizar inimigos e itens escondidos que emitem ruídos.
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Não Use Guias (No Começo): A graça é se perder e se achar. Só procure detonados se travar de verdade. A sensação de descoberta é 50% da diversão.
Uma Aventura Que Vale Cada Segundo
Em um mundo onde somos bombardeados por microtransações, passes de batalha e jogos que exigem conexão constante com a internet, Raccoo Venture é um refúgio. É um jogo puro. Você compra, você joga, você se diverte. Fim.
Minha jornada com esse guaxinim foi uma das experiências mais gratificantes que tive nos últimos anos. Não porque ele reinventou a roda, mas porque ele fez a roda girar de forma tão suave e prazerosa que me lembrei por que amo videogames.
Se você tem crianças em casa, é o jogo perfeito para introduzi-las ao gênero. Se você é um veterano calejado, é o jogo perfeito para desafiar suas habilidades de completista.
O Brasil está no mapa dos jogos de plataforma 3D, e o responsável tem nome, sobrenome e usa uma roupa de guaxinim. Não deixe essa aventura passar.



