The Last Of Us: 2ª Temporada Pode Ter Grande Surpresa Para Fãs
Lembro-me vividamente da primeira vez que terminei de jogar The Last of Us Part II. Fiquei olhando para os créditos subindo na tela da TV, o controle ainda quente nas minhas mãos, sentindo um vazio no peito que poucas obras de ficção conseguiram provocar. Não era apenas tristeza; era exaustão emocional. A jornada de Ellie e Joel, e depois a de Abby, me marcou de uma forma que transcendeu o videogame.
Quando a adaptação da HBO estreou, eu estava cético. Como eles poderiam capturar aquela magia crua? Mas Craig Mazin e Neil Druckmann provaram que eu estava errado. A primeira temporada foi uma obra-prima de fidelidade e expansão. Agora, enquanto nos preparamos para a segunda temporada, o burburinho nos bastidores e as declarações recentes sugerem que algo grandioso está por vir. Algo que pode mudar a forma como até mesmo os fãs mais puristas enxergam a história.

Se você acha que sabe exatamente o que vai acontecer porque jogou o jogo, prepare-se. A televisão tem suas próprias regras, e a HBO adora quebrá-las. Neste artigo, vamos mergulhar fundo nas expectativas, teorias fundamentadas e nas surpresas que podem redefinir nossa experiência com The Last of Us.
Vamos dissecar o que está por vir, não apenas como espectadores, mas como sobreviventes desse mundo pós-apocalíptico que aprendemos a amar (e temer).
O Desafio da Adaptação: Por Que a Parte II é Diferente?
A primeira temporada cobriu, com louvor, os eventos do primeiro jogo. Foi uma narrativa linear, uma “road trip” clássica de pai e filha adotiva cruzando um país devastado. Havia esperança, havia construção de laços.
A Parte II, no entanto, é uma besta completamente diferente. É uma história sobre ódio, obsessão e o ciclo vicioso da vingança. Estruturalmente, o jogo é complexo, dividido em perspectivas que se espelham.
A Grande Surpresa Estrutural
A “grande surpresa” que o título sugere não se refere apenas a um plot twist narrativo, mas a como a história será contada. Neil Druckmann já deu pistas de que a segunda temporada não cobrirá todo o segundo jogo.
Isso é crucial. O segundo jogo é massivo. Tentar espremer tudo em 8 ou 9 episódios seria um erro fatal. A surpresa pode residir na expansão de arcos que mal vimos no jogo.
Imagine ter episódios inteiros dedicados ao tempo que Ellie e Joel passaram em Jackson. No jogo, vemos isso apenas em flashbacks rápidos. Na série, temos a chance de viver esses anos “pacíficos”. Ver Joel tentando ser um pai, tocando violão, construindo uma vida, enquanto Ellie lida com o peso da mentira que ele contou no final da primeira temporada.
Essa mudança de ritmo tornaria o evento catalisador (você sabe qual é) ainda mais doloroso. E essa dor amplificada é a marca registrada da HBO.
Personagens e Elenco: O Peso de Abby
Não podemos falar da segunda temporada sem falar de Abby Anderson. A personagem mais divisiva da história dos videogames modernos.
A escolha de Kaitlyn Dever como Abby foi um golpe de mestre (embora rumores apontem para outras atrizes, a discussão sobre o tipo físico e emocional é o que importa aqui). A surpresa para os fãs pode ser a humanização antecipada de Abby.
No jogo, somos forçados a jogar com ela depois de odiá-la profundamente. Na série, a linguagem da TV permite uma abordagem diferente. Podemos conhecer Abby e seu grupo (o “Salt Lake Crew”) antes do fatídico encontro com Joel.
Por que isso mudaria tudo?
Se a série nos fizer gostar de Abby, ou pelo menos entender suas motivações, antes de ela cruzar o caminho de Ellie, o conflito central deixa de ser “Bem contra Mal” e se torna “Tragédia contra Tragédia”.
Isso elevaria a série a um patamar de drama shakespeariano. Veríamos dois trens desgovernados (Ellie e Abby) em rota de colisão, e torceríamos para que ambos parassem, sabendo que nenhum vai frear.
O Fator “Isaac” e os Serafitas
Outra área onde a série pode surpreender é na exploração das facções. No jogo, a WLF (Lobos) e os Serafitas (Cicatrizes) são inimigos que encontramos no campo de batalha. Sabemos um pouco sobre suas ideologias através de notas espalhadas pelo cenário, mas o foco é sempre a sobrevivência de Ellie.
A série tem a liberdade de sair da perspectiva da Ellie. Podemos ter cenas dentro do acampamento dos Serafitas, entendendo sua religião distorcida, vendo como eles vivem, não apenas como eles lutam.
Podemos ver Isaac, o líder implacável da WLF, não apenas como um vilão distante, mas como um estrategista político lidando com uma guerra civil em Seattle. Aprofundar esse contexto político enriqueceria o mundo e daria mais peso às batalhas. Seattle não seria apenas um cenário de videogame; seria um ecossistema vivo e respirando, cheio de histórias não contadas.
Mudanças na Linha do Tempo: O Que Esperar?
A série já alterou a linha do tempo do surto (de 2013 para 2003). Isso coloca os eventos da Parte II em um contexto temporal ligeiramente diferente.
Mas a grande surpresa pode ser a intercalação de tempos.
No jogo, a estrutura é: 3 dias com Ellie -> Flashback -> 3 dias com Abby -> Final.
Na TV, essa estrutura pode ser confusa ou cansar o público que ficaria semanas sem ver a protagonista (Ellie/Bella Ramsey).
Minha aposta (e de muitos analistas da indústria) é que a série vai entrelaçar as duas jornadas simultaneamente. Veremos o Dia 1 da Ellie e o Dia 1 da Abby no mesmo episódio ou em episódios alternados.
Isso cria um suspense delicioso. Saberemos que elas estão geograficamente próximas, quase se esbarrando, criando uma tensão que o jogo, por sua natureza linear de gameplay, não podia oferecer da mesma forma.
O Retorno de Pedro Pascal: Mais do que Flashbacks?
Pedro Pascal se tornou o rosto da franquia para o grande público. Matar o protagonista no primeiro episódio da segunda temporada (seguindo a cronologia do jogo) seria um risco comercial gigantesco para a HBO.
Aqui entra a maior teoria de “surpresa”: A reestruturação da presença de Joel.
A série pode optar por contar a história de forma não linear, mantendo Joel “vivo” na tela através de flashbacks extensos e novas cenas criadas especificamente para a série durante toda a temporada. Não apenas memórias curtas, mas tramas paralelas no passado que informam o presente.
Isso manteria Pedro Pascal na série por mais tempo, agradaria aos fãs e aprofundaria a tragédia da perda. Cada vez que víssemos um momento doce entre Joel e Ellie no passado, o presente sombrio de Ellie doeria mais.
O Impacto dos Infectados: Evolução e Horror
Na primeira temporada, muitos fãs (eu incluso) sentiram que houve poucos infectados. A série focou muito no drama humano. Os criadores prometeram que a segunda temporada teria mais ação e mais infectados.
Mas a surpresa aqui pode ser a introdução de novas variantes ou o aprofundamento na biologia do Cordyceps.
O Rei dos Ratos (Rat King)
Quem jogou sabe. Aquele momento no hospital. É o ápice do horror corporal em The Last of Us.
A surpresa não será a existência dele, mas como ele será feito. A HBO provou com o Baiacu (Bloater) no episódio 5 que eles não economizam em efeitos práticos misturados com CGI.
Ver o Rei dos Ratos em live-action promete ser um dos momentos mais aterrorizantes da história da televisão. Preparem seus estômagos.
Guia para Quem Não Jogou: Como se Preparar?
Se você só assistiu à série e está lendo este artigo curioso sobre o futuro, aqui vão alguns conselhos de quem viveu essa montanha-russa emocional:
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Evite Spoilers Radicais: Eu mencionei eventos vagos aqui, mas a internet é cruel. Evite vídeos do YouTube com títulos sensacionalistas. A experiência de The Last of Us depende muito do choque.
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Reassista a 1ª Temporada Focando na Mentira: O final da primeira temporada é a chave de tudo. A mentira de Joel para Ellie (“Eles pararam de procurar a cura”) é o veneno que vai corroer a relação deles na segunda temporada. Preste atenção nos olhares de desconfiança da Ellie.
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Prepare o Emocional: A primeira temporada foi triste? A segunda é devastadora. É uma história sobre perda. Não espere finais felizes convencionais.
A Temática da Vingança
Para quem gosta de analisar a narrativa mais a fundo, a segunda temporada será um estudo sobre obsessão.
Ellie, na primeira temporada, é movida pelo amor e pela busca de propósito (ser a cura). Na segunda, ela é movida puramente pelo ódio. É fascinante e doloroso ver uma personagem que amamos se autodestruir em busca de justiça.
A série tem a oportunidade de mostrar o custo físico e mental dessa jornada de forma mais visceral que o jogo. No jogo, curamos ferimentos com kits médicos mágicos. Na série, veremos as cicatrizes, o cansaço, a perda de peso, o olhar que vai ficando cada vez mais vazio. Bella Ramsey terá o desafio de sua carreira, e tenho certeza de que ela vai entregar.
Erros Comuns de Expectativa
Muitos fãs esperam que a série “conserte” coisas que não gostaram no jogo.
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“Eles não vão matar o Joel tão cedo.”
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“Eles vão mudar o final.”
Não caia nessa armadilha. Neil Druckmann é extremamente protetor com sua obra. A série pode expandir, pode mudar o caminho, mas o destino final e os pontos-chave da trama (os pilares emocionais) permanecerão intactos. Esperar que a HBO transforme The Last of Us Part II em uma história de heróis felizes é pedir para se decepcionar. A beleza dessa obra está justamente na sua brutalidade honesta.
A Calmaria Antes da Tempestade
Estamos no período de calmaria. As filmagens estão começando, fotos de set vão vazar, teorias vão explodir. Mas a verdade é que nenhuma teoria vai nos preparar para o impacto de ver essa história ganhando vida com atores de carne e osso.
A grande surpresa da 2ª temporada de The Last of Us pode não ser uma mudança de roteiro, mas sim a profundidade com que ela vai nos fazer sentir. Se a primeira temporada nos fez chorar por amor, a segunda vai nos fazer chorar por arrependimento e raiva. E isso, meus amigos, é televisão de alta qualidade.
A data de estreia ainda está distante (provavelmente 2025), mas a discussão já começou. E que privilégio é poder acompanhar uma adaptação feita com tanto cuidado e respeito, capaz de surpreender até quem sabe cada linha de diálogo do jogo original.
Preparem-se. Jackson espera por nós. E Seattle… Seattle vai nos destruir.



